A história da família de Maria Gonçalves e José Marques de Almeida

Muitas vezes as pessoas falavam para a Dona Maria do seo Zé Marques: "com esses nomes cristãos, José e Maria, só podia ser uma família abençoada". E foi – e é – uma família abençoada, porque em suas vidas o casal José Marques de Almeida e Maria Gonçalves de Almeida sempre colheu muito mais vitórias e alegrias, que tristezas ou tragédias. A morte do filho Lanes Marques, por diabetes, foi o que causou maior sofrimento ao casal. 

A publicação desta homenagem póstuma não tem a pretensão de registrar pormenores, registros históricos etc. Queremo apenas relembrar fatos, mostrar a nossa raiz histórica e familiar para as futuras gerações, para que eles saibam de que matéria são forjadas, de que matéria são feitos: trabalho, persistência, força, coragem, fé. Esse é o exemplo dos nossos antepassados, aqueles de quem herdamos a vida, o sangue, traços da personalidade e do físico. Nós, descendentes de Maria Gonçalves Marques de Almeida e de José Marques de Almeida, temos o privilégio de saber nossa história desde a época da colonização do Brasil, desde a época do fim da escravidão. Quantos brasileiros sabem isso? Quantas famílias tem essa sorte? 

Minas Gerais. O ano é 1915. Na Fazenda Pedrinhas, em Minas Gerais, uma menina, Mariazinha, está de castigo com os irmãos porque fizeram alguma arte. O pai, Elídio, está viajando, jogando baralho em algum lugar, tocando viola, gastando a fortuna herdada do português proprietário da fazenda e dos escravos. O português engravidou a escrava mais bonita da fazenda, gerando Elídio, o pai de Mariazinha. O casal de portugueses não tinha filhos e ele foi criado na Casa Grande, com direito a educação (um luxo dos ricos da época) e aulas de música. Mas a portuguesa morreu, o português ficou triste e resolveu voltar para Portugal, para a família nobre da qual fazia parte, deixando todos os bens para o filho Elídio, mas antes, fizera uma exigência: ele teria que casar com uma empregada espanhola, mais velha que ele, mas que o ajudaria a manter a fortuna da família por algum tempo, Lídia. 

Os portugueses tinham olhos azuis. O filho, Elídio, puxou a mãe, na cor da pele e na decisão de aproveitar a vida da melhor forma possível - sabedoria africana. O castigo de Mariazinha e dos irmãos era ficar horas sentados em um banquinho no sol quente. Com isso a empregada conseguia dois objetivos: 1) punir as crianças; 2) combater os piolhos que na época eram comuns nos cabelos das crianças. Havia duas Marias na família, e havia um motivo: a primeira Maria ficou muito doente, à beira da morte. Os pais pensaram que ela estava com os dias contados e decidiram dar o nome de Maria para a filha recém nascida, e assim ficou Maria e Mariazinha (Maria Gonçalves Marques de Almeida). 

Bahia 

O tropeiro holandês, Gil, tinha três filhos: Cândido, José e Paulo. Viajava pela Bahia e estados vizinhos levando mercadoria para trocar com os nativos. Em uma dessas viagens teve um ataque cardíaco e faleceu. Para a esposa, Elisa, ficou uma fazenda, que não produzia nada, de terra improdutiva. O tempo passou e a viúva procurava algum casamento para conseguir sobreviver naquels tempos difíceis. 

O fazendeiro vizinho pediu ela em casamento, mas fez uma exigência: não queria os filhos José Marques e Cândido. Eles foram entregues a um tio, irmão de Elisa, que frequentava bailões distantes, deixando as crianças praticamente abandonadas. 

Naquela época, as viagens demoravam dias e semanas para percorrer 200 quilômetros. Em várias dessas viagens do tio as crianças José Marques e Cândido ficavam sem água e sem comida. Tendo que buscar água em grande distância, e tendo como alimento apenas os peixes lambaris que pescavam. Certa vez as crianças ficaram com febre e beberam toda a água que havia. No dia seguinte estavam febris e quase morrendo de sede. O filho mais velho, José Marques, gritava desesperado por alguma ajuda, mesmo sabendo ser pouco provável que alguém aparecesse naquele fim de mundo. Durante a noite, para sua surpresa, uma voz respondeu ao pedido de socorro: era um árabe, um mascate, que andava pelos sertões vendendo mercadorias. O árabe abriu a porta, buscou água para as crianças no rio, deu-lhes remédio e depois que melhoraram, ele partiu e nunca mais foi visto. O tio retornou do baile e ficou em dúvida se acreditava ou não na história das crianças, mas a porta aberta não deixava dúvidas. -

 José encontra Maria 

Na fazenda Pedrinhas era comum aparecer trabalhadores. Ao assumir a posse da fazenda, Elídio havia libertado os escravos e muitos deles partiram. Agora, para trabalhar, vinham imigrantes e baianos. José Marques chegou em uma dessas viagens, acertou com Elídio e ficou alojado em uma das casas da colônia. A mãe de Maria foi a primeira a avisar: "tem um baianinho branco que chegou para trabalhar na fazenda, muito magrinho, acho que não consegue nem levantar a enxada". 

 Os dias se passaram, Maria conheceu José e ele se apaixonou por ela. Mariazinha ainda brincava de boneca, era criança, quando a mãe avisou que José havia pedido ela em casamento. Muitos anos mais tarde, ela contou que naquela noite chorou muito, mas que no outro dia respondeu sim, sem pensar muito no assunto. O pai, Elídio, não gostou muito da idéia: "esse branquelo é metido a besta, não gosto dele". Na verdade, tinha ciúmes da filha com a qual era mais apegado. 

O baralho consome a fazenda 

A fazenda Pedrinhas era das maiores de Minas Gerais. Mas o vício no jogo de baralho fez com que Elídio assumisse dívidas que não conseguia pagar. Um genro, Pereirinha, comprava as notas de dívidas do sogro, até que um dia somou o equivalente ao valor da fazenda e o denunciou. O oficial de Justiça foi até a fazenda durante a noite, acompanhado por Pereirinha. Expôs a situação e deu um prazo para Elídio: ou pagava a dívida, ou teria 10 dias para deixar a fazenda. Maria nunca esqueceu aquilo, de onde veio sua aversão por jogo de baralho durante toda a vida. Ela lembrava que aquela foi a noite mais triste de sua vida, vendo a mãe e as irmãs chorando a noite toda porque haviam perdido a fazenda e deveriam partir para São Paulo, em busca de emprego, com um pai, Elídio, que nunca havia trabalhado na vida.

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O casamento 

 José e Maria decidiram casar na cidade de Guaiçara. A casa de José era um barraco de pau-a-pique, cheio de frestas nas paredes, numa fazenda onde ele trabalhava. Ao chegar na casa ela chorou pela primeira vez de casada ao ver a situação da casa, e chorou pela segunda vez ao saber que teria que cozinhar para os peões para ajudar na renda. A casa era dividida com o irmão de José e mais um parente. 
Mariazinha cozinhava para os peões, que achavam deliciosa a comida mineira. Para aumentar a renda, ela costurava e "fazia roupas para fora", isto é, costurava sob medida e encomenda. José Marques era muito trabalhador e honesto. 

Um dia surgiu a oportunidade de cuidar de uma fazenda cujo proprietário era paraplégico. A proposta era boa: ele derrubava a mata, plantava pasto, e depois de 5 anos entregava a fazenda, mas nesse período tudo que ele cultivasse ou criasse na terra era dele. O fazendeiro alertou: "dificilmente sua esposa vai aceitar essa proposta porque a terra é no Coqueiral (proximidades de Lins, São Paulo) é muito ermo e dava muita maleita (febre amarela). Fiz o mesmo convite ao Araujo mas a esposa dele não aceitou". José Marques foi decidido: "A proposta está aceita. Na minha casa mando eu". E assim foi que pela terceira vez Mariazinha chorou como recém-casada, porque o lugar era deserto, no meio do mato.



 Córgo da Onça 

No Córrego da Onça, chamado de Córgo da Onça, nasceram os filhos Elisa, Luiza, Gil, Amélia e Elídio. A filha Amélia nasceu com maleita e quase faleceu. Dita e Lanes já nasceram na cidade de Lins. O local era agradável, havia um riozinho que serpenteava por entre as árvores, para alegria e brincadeiras das crianças. 

Mas havia muitas cobras. Mariazinha contava que foi o lugar onde ela mais sofreu na vida. Além de cuidar dos filhos – o marido estava sempre no mato, trabalhando – lavava roupa para moradores da cidade, e levava a roupa de carroça por mais de 15 quilômetros. Quando venceu o contrato, José Marques era proprietário de uma casa e um bar na cidade de Lins, para onde a família mudou. Maria ficou cuidando do bar por um ano, e dos filhos, enquanto José Marques partia para novas empreitadas (trabalho de derrubar matas).


A corrida do ¨Ouro Verde¨

Por volta de 1950 o melhor negócio era comprar terras no Paraná e plantar café. Embora José Marques estivesse bem situado em Lins, em Bacuri, onde tinha sua própria terra com 60 mil pés de café plantados. Mas a riqueza, diziam, estava no Paraná, onde a terra era devoluta. 

O governo vendia o requerimento da terra, que posteriormente dava direito à propriedade. Muita gente conseguiu e muita gente não conseguiu porque políticos corruptos conseguiam pressionar funcionários para – em benefício dos deputados - não entregar os títulos àqueles que haviam derrubado as matas e plantado. Isso foi tentado com José Marques, mas o deputado e o funcionário que tentaram roubar-lhe a terra encontraram uma parada dura pela frente. José Marques teria dito a eles: "tudo que eu tenho está naquela terra. Se vocês a tirarem de mim, eu perco tudo que tenho, mas vocês perderão suas vidas". O tom da voz e o brilho nos olhos não deixavam dúvidas de que ele cumpriria sua promessa, custasse o que custasse. Por isso acharam melhor entregar o título da terra a quem de direito.


Fazenda Santa Cruz 

Pela primeira vez trabalhando em suas próprias terras, a família estava animada e os filhos mais velhos serviam o Exército (Gil em Lins e Elídio em Curitiba). As filhas mais novas estudavam em colégios internos, em Irati, que na época tinha boas escolas do Estado. Luiza e Benê esudavam em Irati numa época em que só havia estradas de terra.

 Quando chovia, a viagem de ônibus de Goioerê a Irati podia levar uma semana, e sem hotel na estrada. E várias vezes os três faziam esta viagem, José Marques acompanhava as filhas Luiza e Benê. A vida de fazendeiro permitia alguns gastos mas era muito difícil. José Marques investia na derrubada das matas para abrir a fazenda e torná-la produtiva. Fazia e renovava "papagaios" (empréstimos) nos bancos da cidade de Campo Mourão. 

 A primeira colheita de café levou 9 anos para ser realizada. No ano de 1951, para derrubar a mata, José Marques trouxe peões de Lins porque não havia trabalhadores rurais em Goioerê. O primeiro morador que encontraram em Goioerê foi Francisco Scarpari, talvez o primeiro pioneiro da cidade. José Marques contava que na época vendiam o café e traziam a palha para servir de adubo, e a palha era de graça. Quando veio a crise do café, a palha também era vendida para misturar com o café. 

A primeira fazenda no Paraná a ser comprada por José Marques foi a Fazenda Santa Cruz, nas proximidades de IV Centenário, de frente para a fazenda do amigo João Sestak, outro valente pioneiro que participava da colonização da cidade com toda sua família. Mariazinha mostrou alegria ao saber da nova fazenda, porque teriam como vizinhos "aquela gente boa dos Sestak". 

Na fazenda Santa Cruz plantava café e criava-se gado. Foi nessa fazenda que os primeiros netos da família começaram a andar a cavalo, colher frutas no pomar, puxar água no poço (não havia luz elétrica) e a brincar na tulha de café. -


 Fazenda São Lucas 

 Depois de vender a Fazenda Santa Cruz, com grande pesar de sua esposa que amava esta terra, José Marques comprou a Fazenda São Lucas, a qual deixou como herança para seus filhos e netos. Londrina Com a situação financeira tranqüila, o casal José e Maria comprou apartamento em Londrina, para ficar perto da filha Ditinha (Benê) – que cuidou do casal até o fim. E a casa da vó Maria virou ponto de encontro dos netos, netas, filhos e filhas. 

A comida da Mariazinha continuava gostosa e na geladeira sempre havia no mínimo 5 tipos de doces, a maioria de leite: doce de leite com côco, doce de leite com amendoim, doce de leite cremoso etc. E o tempo passou e eles foram ficando cada vez mais velhos. Mariazinha se distraia fazendo crochê e tricô, fazendo toalhinhas para dar de presente para os parentes e para as funcionárias das Lojas Americanas, onde fazia amizade durante as compras. Ao presentear uma delas Mariazinha disse pra ela colocar a toalhinha ao lado de um Santo Antonio, para conseguir casamento. Meses depois a menina agradeceu Mariazinha, dizendo que havia conseguido o casamento esperado. 

Outra característica de Mariazinha era dar presentes aos netos. Todos os natais e durante visitas à sua casa, os netos e netas recebiam presentes. A facilidade que ela tinha em fazer amizades era algo surpreendente. Durante uma viagem a São Paulo, para visitar a filha Luiza, ela estava sentada no sofá do aeroporto quando veio até ela um japonesa, parou na sua frente com uma criança no colo, falou em japonês e entregou-lhe a criança, foi ao banheiro e voltou alguns minutos depois, pegou a criança e agradeceu em japonês. Mariazinha conta que ela a confundiu com japonesa. 

 José Marques fazia seus passeios diários pelo calçadão do centro de Londrina, onde encontrava outros fazendeiros aposentados, tomava café e ficava conversando. De vez em quando viajava até sua fazenda em Goioerê para vacinar o gado, comprar ou vender.


A morte do filho Lanes Marques 

 O filho caçula, Lanes Marques, era diabético e não fazia regime. Veio a falecer em Londrina. Mariazinha pedia em suas orações que Deus a levasse e deixasse o filho vivo. Após a morte do caçula, ela envelheceu mais rapidamente. Uma cena que ela nunca esquecia e que fazia questão de lembrar para os netos: na fazenda de IV Centenário, Lanes tinha aproximadamente 6 anos de idade, e gostava de puxar água no poço para diminuir o trabalho da mãe. Ela lembrava sorrindo do esforço dele, mal agüentando o peso do balde de água, mas fazendo muito esforço, e seu sorriso após conseguir retirar o balde do poço. “Ele era muito branquinho, tinha a saúde frágil.” 

A velhice 

Os anos passaram cada vez mais rápidos e um dia Mariazinha foi levada ao hospital, para a UTI, aos 88 de idade. Ao retornar para o quarto do hospital ela abriu os olhos e viu toda a família reunida em seu redor, e repetiu, como sempre fazia: "esta é a melhor família do mundo. Como sou feliz por ter uma família tão bonita e tão maravilhosa". Durante a noite os filhos, filhas, netos e netas se revezavam na beira da cama, cercando Mariazinha de amor familiar na hora em que ela mais precisava. 

No dia 07 de julho ela parou de respirar. Foi sepultada em Goioerê. O corpo foi velado na Câmara Municipal e muita gente participou do enterro. O ano seguinte foi de decadência na saúde de José Marques. Primeiro ele deixou de passear no calçadão, parou de sair de casa. Foi contratada uma enfermeira para cuidar dele. A memória foi terminando e às vezes ele perguntava do cavalo, dos peões na fazenda. 

No dia, 17 de abril de 2000, cercado por familiares, José Marques deixou de respirar, aos 92 anos de idade. Foi sepultado em Goioerê, no túmulo da família, onde estavam Lanes Marques e Mariazinha. O corpo foi velado na Câmara Municipal e foi grande o número de pessoas que foram levar solidariedade e condolências – pioneiros, ex-trabalhadores, conhecidos, parentes e amigos -, apesar da chuva torrencial que caiu naquele dia. Uma chuva forte, abundante, para alegria dos agricultores e pecuaristas que como José Marques, retiram da terra o milagre da vida.

 Árvore Genealógica 

 José Marques de Almeida e Maria Gonçalves de Almeida geraram os filhos: • Elisa Marques de Almeida (casada com David Figueiredo, com o qual teve os filhos Carlos e Miriam); • Amélia de Almeida Hruschka (casada com Alfonso Germano Hruschka, com o qual teve os filhos Greice Mara, Celso, Carla e Marcelo); • Gil Marques de Almeida (casado com Izaura Alves de Almeida com a qual teve os filhos José Gil, Jane Mara, Hilka e Fernando. No segundo casamento, com Eunice Bueno, com a qual teve o filho Dean Fábio); • Elídio Marques (casado com Lidia Carini, com a qual teve os filhos José Luís, Clélia e Élen); • Lanes Marques (casado com Maria Deolinda, com a qual teve os filhos Roseli, José Lanes, Mary Angela e Julio. Com Ana Maria teve as filhas Ana e Elaine. Com Maria Isabel teve o filho Lanes Randal); • Luiza Marques Stevanato (casada com Valdo Stevanato, com o qual teve os filhos Fabio Eduardo e Maria Luiza. • Benedita Marques de Araujo (casada com Trajano Saldanha de Araujo Filho , com o qual teve os filhos Trajano Netto, Adriane e Cristiane). 

 Autores: Gil Marques e José Gil de Almeida

Fotos do acervo de Luiza Marques Estevanato e Gil Marques
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MEMÓRIAS DOS PIONEIROS

Na decada de 1950 o fazendeiro José Marques de Almeida empregava na Fazenda Santa Cruz o irmão Cândido na fiscalização dos trabalhos nos cafezais. Diferente dos empregados, Cândido não recebia diárias, mas semanalmente, aos sábados, ele falava para o irmão José Marques antes de voltar para a cidade:

- Esta semana preciso de 500 cruzeiros para as despesas de casa.

Conhecendo bem o irmão, José Marques respondia:

- 500 é muito. Leva 400. 

E todas as semanas essa história se repetia. Algum empregado que escutasse a conversa poderia pensar algo errado sobre esse estranho acordo entre irmãos.

Passaram-se dois anos e um dia o José Marques avisou o irmão Cândido:

- Amanhã eu passo na sua casa e vamos dar um passeio.

No dia seguinte a rural willis do José Marques levava o irmão até a região do alto da Vila Guaíra, onde hoje existe um posto de polícia rodoviária. Na época havia apenas pequenas chácaras no local.

José Marques parou o carro, desceu, chamou o irmão Cândido e disse:

- Está vendo esta chácara?

- Sim.

- É bonita? Gostou dela?

- Sim.

- Pois ela é sua. A chácara com a casa nova de madeira. É tudo seu.

O irmão Cândido não acreditava.

- Está louco? Não tenho dinheiro para comprar e nem para te pagar por tudo isso.

- Tem sim - respondeu José Marques. E completou:

- Lembra quando você me pedia 500 cruzeiros semanais e eu te pagava 400? Eu guardava 100 cruzeiros para comprar uma chácara com uma boa casa pra você e sua família.

E foi assim que, sem falar com o irmão, José Marques comprou a chácara do corretor Alcides Granato Neves, do loteamento nas terras da família Scarpari. Depois comprou as madeiras na Serraria do Frederico Schimit, nos proximidades do cemitério.



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